ABERTURA

Desde 1999 as torcidas de Avai e Figueirense discutem a final do Campeonato Catarinense daquele ano. Na época, a torcida do Avai, vivia um momento de esplendor. Seu clube havia conquistado o título estadual de 1997 e em 1998 foi campeão da terceira divisão. O Figueirense começava um projeto de modernização administrativa ainda desacreditado, tanto por torcedores como adversários.

A partir de então o que se viu foi o crescimento vertiginoso do clube alvinegro, com o acesso a elite do futebol brasileiro e posteriormente o tri campeonato estadual, igualando-se em número de títulos a seu arqui-rival. Neste período alternou boas e más campanhas em nível nacional, e conseguiu se manter entre os vinte melhores times do futebol brasileiro.

Por outro lado, a equipe azurra entrou num processo de decadência que persiste até hoje. Com a posse do presidente Zunino a situação se agravou e o time desde aquela época não conseguiu ganhar mais nada. A participação pífia em algumas competições, culminou com a recente semi-final da série B de 2005. O Avai terminou a fase na lanterna sem conquistar um ponto sequer.

Neste período de felicidade para torcida do Furacão, os torcedores do Leão estão convivendo com ilusões. A cada fracasso a diretoria acena com falsas promessas: Plano B; Parcerias milionárias; Promessa de conquista; Listas de dispensas; Listas de contratações; etc. O acúmulo de decepções tem sido um duro golpe na auto-estima do avaiano.

Insuflados por um radialista que se preocupado muito mais com a desgraça que a solução, o torcedor tem se agarrado na teoria da conspiração. Todos agem para prejudicar o clube da Ressacada e favorecer os concorrentes. Todo árbitro é ladrão e o presidente da federação monta esquemas para os campeonatos.

Neste contexto, a memória avaiana constrói uma lenda com relação a final do campeonato estadual de 1999. A cada ano aumenta a distância entre o zagueiro do Figueirense e o atacante avaiano naquele lance polêmico. Os últimos informes já falam em dois metros. O penalti que originou o segundo gol do Figueirense não passou de simulação do Claudiomir e o árbitro terminou a partida antes do tempo regulamentar.

A nova esperança avaiana é um suposto processo que está sendo montado por advogados simpatizantes do clube, com a intenção de anular a conquista do Figueirense em 1999. Munidos de depoimentos bombásticos e fitas de vídeo, os causídicos breve entrariam na justiça. Só resta saber se os jurados levarão a sério as pilhérias, que em animados churrascos, faz um ex-árbitro que ganha a vida apitando de rosa.

Para que todos possam fazer uma isenta avaliação da ação que se avizinha, este blog, antecipa as imagens que poderão ser usadas como provas no processo do Avai.

 

IMPEDIMENTO


Aos quatro minutos do segundo tempo da prorrogação, o árbitro Margarida marcou uma falta em favor do Avai. As imagens a seguir ilustram o lance que desde aquela época tem gerado muita discussão entre os torcedores da capital.

Na imagem acima, os atacantes do Avai se preparam para cobrar a falta em jogada ensaiada, enquanto o juiz organiza a formação da barreira. Neste momento todos os jogadores se encontram em posição regular. A falta não será batida diretamente para o gol. A bola será rolada para o atleta que está com a camisa 9.

Este é o momento do lançamento. O atacante do Avai que recebeu a bola, caminhou um pouco com ela para o centro do campo e chuta para área. A posição dos jogadores na área já é bem diferente da imagem anterior. O atacante que vai receber a bola correu para área e a imagem mostra que ele já encontra-se encoberto pelo zagueiro do Figueirense .


Neste instante ele recebe a bola completamente livre e a desvia para centro da área.


A bola sobra para outro jogador que completa a jogada empurrando a bola para o gol.


O bandeira assume a responsabilidade pelo lance e assinala impedimento. Seu posicionamento é exatamente na linha da jogada.

A interpretação acima, sugere irregularidade no lance, porém o posicionamento da câmera não é favorável para uma afirmação conclusiva. Este é o tipo de situação que os comentaristas de arbitragem discutem horas e não chegam a um veredicto. A pessoa com melhores condições para a avaliação era o bandeira e ele marcou lance irregular.

A crônica esportiva e a torcida avaianas podem até discordar, mas é descabido o alarido que fazem desde então, tentanto transferir para arbitragem daquele jogo, todo seu fracasso.


 

COERÊNCIA

No início da partida, um lance semelhante ao mostrado acima teve a mesma interpretação da arbitragem.



Após a cobrança de uma falta, a defesa do Avai rebateu uma bola para entrada da área.



O atacante do Figueirense pegou o rebote e de meia bicicleta, jogou novamente a bola em direção ao gol.




A imagem acima mostra o zagueiro do Avai saindo da pequena área e o centro-avante do Figueirense, que vai receber a bola, na mesma linha do atleta avaiano.


O centroavante recebe a bola e de voleio chuta para o gol.


A bola entra no ângulo, sem a menor chance de defesa para o goleirodo time azurra.


O bandeirinha marca impedimento e anula o gol.


 

PENALTI

Aos 37 minutos do segundo tempo, logo após o gol de empate do Avai, Claudiomir, o meia do Figueirense, dá um drible de corpo no zagueiro e parte para fazer o gol .



A imagem acima mostra quando o zagueiro agarra a manga da camisa do atacante alvinegro. O atacante do Figueirense tenta se livrar da defesa avaiana mas a camisa presa o impede.

A camisa é praticamente arrancada.


Desequilibrado, o jogador do Figueirense cai na área.


O árbitro estava olhando diretamente para a jogada e não teve dúvidas nenhuma em assinalar o penalti cometido pelo zagueiro avaiano. Observe como o puxão desloca a gola da camisa do atacante.


Desesperados os jogadores do Avai querem ganhar no grito e partem para agressão ao Margarida tentando intimidá-lo para não marcar a falta.




 

DEPREDAÇÃO

Ao final da partida, inconformada com a derrota, a torcida avaiana descarrega toda sua frustração destruindo o patrimônio do clube rival. Fato que viria a se repetir sete anos depois.




 

APITO FINAL

Diferente do que divulgam alguns torcedores, o segunda etapa da prorrogação teve um tempo extra muito grande. O árbitro terminou o jogo com 22:35 minutos. Sete minutos e trinta e cinco segundos além do tempo normal. O tempo extra foi dado para compensar a cera que fez o Figueirense e as constantes invasões de campo do treinador do Avai.


 

OS NÚMEROS DO CAMPEONATO

O Campeonato Catarinense de 1999 foi disputado por 12 clubes em três fases. Na primeira fase os clubes jogaram entre si, todos contra todos. Os oito primeiros colocados disputaram um play-off que determinou o campeão da fase. O Figueirense terminou esta fase em primeiro lugar e venceu os play-offs sagrando-se campeão.

A segunda fase foi disputada nos mesmos moldes da primeira. Criciuma e Figueirense fizeram a final dos play-offs, sagrando-se campeão o Criciuma.

Para a última fase, classificaram-se Figueirense e Criciuma, campeões das fases iniciais, além de Avai e Joinville por pontuação geral.

Nas semi-finais o Figueirense venceu o Joinville e o Avai venceu o Criciuma.

O campeonato foi decidido em duas partidas entre Figueirense e Avai. O Avai venceu a primeira na Ressacada e o Figueirense venceu a grande final no Scarpelli. Com uma vitória para cada clube, o título foi decidido em uma prorrogação que terminou 0x0. O Figueirense, com a melhor campanha, teve a vantagem do empate e sagrou-se campeão.

O título fez justiça a equipe que teve o melhor desempenho ao longo de todo campeonato. O Figueirense conquistou 72 pontos enquanto o Avai somou apenas 54 pontos.

Todos os resultados podem ser encontados no link abaixo:

http://paginas.terra.com.br/esporte/rsssfbrasil/tables/sc1999.htm

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